"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustoso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas (...) tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão."
Clarice Lispector
Já vivi em Atlanta, na Geórgia, durante a guerra civil americana, quando era Scarlet O`hara em O vento levou; dormi em um trapiche na Bahia, perto da casa de Jorge Amado, com Pedro Bala, Sem-pernas e Dora; já chorei junto com Zezé a morte do Portuga em Meu pé de laranja lima; desvendei O caso dos Dez negrinhos com Agatha Christie; permaneci calada, mesmo enlouquecida com meu pai, Pedro Terra, que assassinou meu amor quando vivi o Tempo e o Vento; galopei em cavalos selvagens com Clarice Lispector; fui uma das esposas desesperadas que aguardaram durante anos seus maridos que naufragaram no navio Essex, em No coração do mar, de Nathaniel Philbrick; também viajei à Austrália dos anos 20 e refleti um pouco sobre ambição e vaidade na emocionante história de amor impossível entre Meggie e o padre Ralph em Pássaros feridos, de Colleen McCullough.
Nonsense? É isso mesmo o que nos faz a leitura, tira-nos do sério, faz sonhar, emocionar, viajar, flutuar, questionar, refletir, experimentar, analisar, crescer, conhecer.
Possível descrever claramente a trajetória da literatura em nossas vidas? Acho que não.
Cresci nesse contexto incomum, muitos livros povoando uma infância quase completamente rural e adolescência entre o campo e uma cidade bem pequena de interior. Isso deve ter feito de mim quem eu sou, não sei. Difícil mensurar a dimensão da contribuição da literatura na formação de alguém, só sei que até hoje essas histórias, lugares e personagens colorem minha vida.
Miriam Bottino
E.E. Wilquem Manuel Neves
Olímpia - SP
Diretoria de Ensino de Barretos - SP

Miriam...Confesso que fiquei extasiada ao ler este seu depoimento.
ResponderExcluirQue maravilha!
Mais uma prova real do quanto e em que a literatura pode nos transformar.
Parabéns!
Abraço.
Marli Biagi.