Aprendi a ler e escrever aos seis anos de idade. Sétima filha de uma irmandade de onze desde muito pequenina convivi num ambiente onde o ler
e o escrever era o principal divertimento. Morávamos no sítio e não tínhamos televisão. Os mais velhos realizavam as tarefas escolares sob a orientação da minha mãe e os menores a observar.
e o escrever era o principal divertimento. Morávamos no sítio e não tínhamos televisão. Os mais velhos realizavam as tarefas escolares sob a orientação da minha mãe e os menores a observar.
Eu achava um luxo a escola e o ato de estudar. Meus pais, embora muito simples, gostavam muito de ler e eram leitores assíduos. Liam para nós e também nos contavam histórias. Não me recordo com exatidão, mas acredito que já gostava de ler antes mesmo de estar completamente alfabetizada. Mas do primeiro livro que ganhei jamais esqueci. Foi Cem Noites Tapuias que a professora da 5ª série , Dona Daoulat, mandou que lêssemos. Achei um requinte ser dona de um livro. Nunca esqueci a história do Carumbé, um jabuti desta história. Hoje, meu animalzinho de estimação é uma jabota.
Não por acaso: acredito que nossas histórias de vida muito se misturam às nossas histórias de leitura. Sei que muitas pessoas contribuíram para que me tornasse leitora e apaixonada por leitura e especialmente por livros. Mas, sem dúvida, foram meus pais inicialmente e excelentes professores no decorrer da minha escolaridade que serviram de modelo para que eu desenvolvesse a paixão pela leitura.
Uma lembrança me ocorreu agora: para não ajudar nas tarefas de casa eu pegava um livro, sentava na varanda e lia. Minhas irmãs reclamavam e minha mãe dizia que se quisessem ler também podiam. Ela adorava nos ver lendo, mas nem todas gostavam. Tinha até quem preferia ariar panelas. E diziam que eu lia de preguiça de trabalhar. Tinha um pouco de verdade nisto. Ainda hoje, quando estou com preguiça de realizar alguma obrigação, o ócio me perturba. Então leio, pois considero estar realizando uma atividade nobre além de prazerosa.
No momento estou lendo "Ostra feliz não faz pérola", do Rubem Alves. Mas é por puro prazer. Ele é meu escritor preferido. E o livro é lindo. Nele há vários depoimentos de leitura do autor, que é um apaixonado por leitura, além de escrever com a alma. Em um deles ele diz que "Ler... é uma das maiores fontes de alegria." Compartilho da mesma opinião, pois experimento isto no meu dia a dia.
Se estou com preguiça, leio para disfarçar; se estou cansada, leio para descansar; se estou preocupada, leio para arejar a mente; se estou introspectiva, angustiada, triste, leio para me alegrar. E sempre funciona.
Marta Aparecida Dourado Alves


Martinha, sensacional seu depoimento (que li agora pra relaxar, estava muito cansada. E funcionou. Funciona mesmo, tem razão. Fiquei feliz, animada)!
ResponderExcluirTão natural a forma como vai acrescentando os detalhes. Muito gostoso de ler.
E que lindo ficou nosso blog com essa riqueza. Beijos!
Ótima ideia para incentivar meus alunos a ler: "Quando estiver com preguiça, leia!", acho que vai funcionar. Hahaha
Ah! A imagem verde está em sintonia perfeita ao texto, não está?
Miriam Bottino